{"id":895,"date":"2020-06-03T15:24:20","date_gmt":"2020-06-03T18:24:20","guid":{"rendered":"http:\/\/domingoseadvogados.com.br\/?p=895"},"modified":"2020-06-03T15:24:23","modified_gmt":"2020-06-03T18:24:23","slug":"venda-de-imoveis-durante-execucao-afasta-impenhorabilidade-de-bem-de-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2020\/06\/03\/venda-de-imoveis-durante-execucao-afasta-impenhorabilidade-de-bem-de-familia\/","title":{"rendered":"Venda de im\u00f3veis durante execu\u00e7\u00e3o afasta impenhorabilidade de bem de fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"\n<p>A Subse\u00e7\u00e3o II Especializada em Diss\u00eddios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho manteve a penhora de um im\u00f3vel considerado bem de fam\u00edlia diante da comprova\u00e7\u00e3o de que a devedora havia vendido, no curso da a\u00e7\u00e3o, dois outros im\u00f3veis dos quais a penhora fora retirada. Para a maioria da Subse\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o configurou concord\u00e2ncia t\u00e1cita com a penhora, o que afasta a prote\u00e7\u00e3o ao direito \u00e0 moradia e a consequente impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Jornaleiro<\/h4>\n\n\n\n<p>Na a\u00e7\u00e3o original, o propriet\u00e1rio de uma banca de jornais em Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), foi condenado ao pagamento de diversas parcelas a um jornaleiro que teve o v\u00ednculo de emprego reconhecido. Na fase de execu\u00e7\u00e3o, a penhora recaiu inicialmente sobre im\u00f3veis comerciais, mas o jornaleiro requereu que fosse penhorado o apartamento no mesmo bairro, resid\u00eancia da ex-companheira do dono da banca, que o sucedera \u00e0 frente do neg\u00f3cio ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o. Ela, ent\u00e3o, pediu em ju\u00edzo a libera\u00e7\u00e3o da constri\u00e7\u00e3o sobre os im\u00f3veis comerciais, que foram em seguida vendidos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Bem de fam\u00edlia<\/h4>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o leil\u00e3o judicial, entretanto, a propriet\u00e1ria pediu a nulidade da arremata\u00e7\u00e3o, com a alega\u00e7\u00e3o de que se tratava de bem de fam\u00edlia. De acordo com o artigo 1\u00ba da <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L8009.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei 8.009\/1990<\/a>, o im\u00f3vel residencial do casal ou da entidade familiar \u00e9 impenhor\u00e1vel e n\u00e3o responde por qualquer tipo de d\u00edvida contra\u00edda pelos c\u00f4njuges.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ren\u00fancia<\/h4>\n\n\n\n<p>O ju\u00edzo da 23\u00aa Vara do Trabalho do Rio de Janeiro (RJ) negou o pedido, ap\u00f3s comprovar que, apesar de residir no im\u00f3vel arrematado, a ex-propriet\u00e1ria, ao pedir a libera\u00e7\u00e3o dos outros im\u00f3veis, teria tacitamente renunciado \u00e0 impenhorabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, ajuizada pela sucessora ap\u00f3s o esgotamento dos recursos na a\u00e7\u00e3o principal, o Tribunal Regional do Trabalho da 1\u00aa&nbsp;Regi\u00e3o (RJ) manteve a decis\u00e3o. Segundo o TRT, o acolhimento da pretens\u00e3o exigiria o reexame de fatos e provas, incab\u00edvel nas a\u00e7\u00f5es rescis\u00f3rias, em que se discutem apenas quest\u00f5es jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">M\u00e1-f\u00e9<\/h4>\n\n\n\n<p>O relator do recurso ordin\u00e1rio, ministro Alexandre Agra Belmonte, assinalou que, de acordo com a jurisprud\u00eancia do TST e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), a ren\u00fancia \u00e0 impenhorabilidade s\u00f3 \u00e9 admitida em situa\u00e7\u00f5es excepcionais, em raz\u00e3o do direito social \u00e0 moradia. \u201cTodavia, a regra legal n\u00e3o pode escudar situa\u00e7\u00f5es de abuso de direito, fraude ou m\u00e1-f\u00e9 do propriet\u00e1rio\u201d, afirmou. \u201cNessas situa\u00e7\u00f5es, a norma protetiva deve ser ultrapassada, de modo que n\u00e3o se tenha como intoc\u00e1vel o bem gravado com a impenhorabilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Comportamento contradit\u00f3rio<\/h4>\n\n\n\n<p>Segundo o relator, compete ao Poder Judici\u00e1rio combater \u201ca qualquer custo\u201d a conduta que n\u00e3o se coadune com os princ\u00edpios da boa-f\u00e9 objetiva, da coopera\u00e7\u00e3o no processo e do comportamento \u00e9tico. No caso, al\u00e9m de ter concordado com a penhora do apartamento e vendido os outros dois im\u00f3veis inicialmente penhorados, a autora&nbsp;tamb\u00e9m chegou a levantar o saldo remanescente da arremata\u00e7\u00e3o. Para o relator,&nbsp;ela se comportou de forma contradit\u00f3ria aos pr\u00f3prios argumentos, o que permite afastar a impenhorabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte &#8211; TST &#8211; (DA\/CF) &#8211; Processo: RO 0010517-27.2014.5.01.0000<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Subse\u00e7\u00e3o II Especializada em Diss\u00eddios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho manteve a penhora de um im\u00f3vel considerado bem de fam\u00edlia diante da comprova\u00e7\u00e3o de que a devedora havia vendido, no curso da a\u00e7\u00e3o, dois outros im\u00f3veis dos quais a penhora fora retirada. 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A decis\u00e3o fundamentou-se na Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais (Lei 6.830\/1980), que prev\u00ea que a totalidade dos bens e das rendas\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/domingoseadvogados.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/33.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":1166,"url":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2023\/08\/11\/arrematacao-de-apartamento-e-anulada-em-razao-de-penhora-anterior-em-acao-civel\/","url_meta":{"origin":895,"position":2},"title":"Arremata\u00e7\u00e3o de apartamento \u00e9 anulada em raz\u00e3o de penhora anterior em a\u00e7\u00e3o c\u00edvel","date":"agosto 11, 2023","format":false,"excerpt":"A S\u00e9tima Turma do Tribunal Superior do Trabalho anulou a penhora e a arremata\u00e7\u00e3o de um apartamento no Butant\u00e3, em S\u00e3o Paulo (SP), que serviriam para a quita\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos trabalhistas. 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