{"id":728,"date":"2019-09-16T09:15:27","date_gmt":"2019-09-16T12:15:27","guid":{"rendered":"http:\/\/domingoseadvogados.com.br\/?p=728"},"modified":"2019-09-09T16:17:09","modified_gmt":"2019-09-09T19:17:09","slug":"clausula-de-inalienabilidade-nao-impede-doacao-do-bem-em-testamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2019\/09\/16\/clausula-de-inalienabilidade-nao-impede-doacao-do-bem-em-testamento\/","title":{"rendered":"Cl\u00e1usula de inalienabilidade n\u00e3o impede doa\u00e7\u00e3o do bem em testamento"},"content":{"rendered":"\n<p>\u200bPara a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), as \ncl\u00e1usulas de inalienabilidade t\u00eam dura\u00e7\u00e3o limitada \u00e0 vida do \nbenefici\u00e1rio \u2013 seja ele herdeiro, legat\u00e1rio ou donat\u00e1rio \u2013, n\u00e3o se \nadmitindo o gravame perp\u00e9tuo, transmitido sucessivamente por direito \nheredit\u00e1rio. Assim, as cl\u00e1usulas de inalienabilidade, incomunicabilidade\n e impenhorabilidade n\u00e3o tornam nulo o testamento, que s\u00f3 produz efeitos\n ap\u00f3s a morte do testador. <br><\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o \ncolegiado julgou improcedente a\u00e7\u00e3o de nulidade de testamento de parte de\n im\u00f3veis gravados, deixados como heran\u00e7a para a companheira, com quem o \nfalecido conviveu durante 35 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os autos, em \n1970, o pai do falecido deixou para ele oito apartamentos situados em um\n pr\u00e9dio no Rio de Janeiro. Em decorr\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o de \u00e9brio habitual \ndo herdeiro, no testamento foram fixadas cl\u00e1usulas de \nincomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade dos im\u00f3veis, \npara garantir que o benefici\u00e1rio n\u00e3o pudesse vender ou doar o patrim\u00f4nio\n recebido. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 1996, o ent\u00e3o dono dos im\u00f3veis fez um testamento \ndeixando parte dos bens herdados para sua companheira. Contudo, depois \nque ele morreu, seus filhos (netos do testador inicial) entraram com \na\u00e7\u00e3o de nulidade do testamento, alegando que o documento n\u00e3o teria \nvalidade por causa das cl\u00e1usulas restritivas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nuli\u200b\u200bdade<\/h2>\n\n\n\n<p>A\n senten\u00e7a julgou nulo o testamento por considerar que ele contrariava as\n restri\u00e7\u00f5es registradas em rela\u00e7\u00e3o aos bens. O Tribunal de Justi\u00e7a do \nRio de Janeiro (TJRJ) manteve a nulidade sob o argumento de que o \ntestador inicial (av\u00f4 dos autores da a\u00e7\u00e3o) tentou garantir o patrim\u00f4nio \nn\u00e3o s\u00f3 ao filho, mas tamb\u00e9m aos netos. Para o TJRJ, a cl\u00e1usula de \ninalienabilidade impede a transmiss\u00e3o dos bens por ato intervivos.<\/p>\n\n\n\n<p>No\n recurso apresentado ao STJ, alegou-se que, em se tratando de testamento\n e sucess\u00e3o testament\u00e1ria, n\u00e3o h\u00e1 transmiss\u00e3o de propriedade por ato \nintervivos, mas apenas manifesta\u00e7\u00e3o de vontade, unilateral, para vigorar\n e produzir efeitos ap\u00f3s a morte do testador. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Livre circul\u200b\u200b\u200ba\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O\n relator do recurso, ministro Antonio Carlos Ferreira, esclareceu que, \nenquanto o benefici\u00e1rio dos im\u00f3veis estava vivo, os bens se sujeitavam \u00e0\n restri\u00e7\u00e3o imposta pelas cl\u00e1usulas estabelecidas no testamento deixado \npelo seu pai. Contudo, ap\u00f3s sua morte, tais medidas restritivas perderam\n a efic\u00e1cia. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro afirmou que a jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 \nun\u00edssona no sentido de que a cl\u00e1usula de inalienabilidade vital\u00edcia tem \nvig\u00eancia enquanto viver o benefici\u00e1rio, passando livres e desembara\u00e7ados\n aos seus herdeiros os bens objeto da restri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por for\u00e7a do \nprinc\u00edpio da livre circula\u00e7\u00e3o dos bens, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a \ninalienabilidade perp\u00e9tua, raz\u00e3o pela qual a cl\u00e1usula em quest\u00e3o se \nextingue com a morte do titular do bem clausulado, podendo a propriedade\n ser livremente transferida a seus sucessores&#8221;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Antonio \nCarlos Ferreira destacou que o testamento \u00e9 um neg\u00f3cio jur\u00eddico que \nsomente produz efeito ap\u00f3s a morte do testador, quando ocorre a \ntransfer\u00eancia do bem. Desse modo, &#8220;a elabora\u00e7\u00e3o do testamento n\u00e3o \nacarreta nenhum ato de aliena\u00e7\u00e3o da propriedade em vida, sen\u00e3o evidencia\n a declara\u00e7\u00e3o de vontade do testador, revog\u00e1vel a qualquer tempo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para\n o relator, considerando que as cl\u00e1usulas restritivas vigoraram durante a\n vida do testador, e que os efeitos do testamento questionado somente \ntiveram in\u00edcio com sua morte, devem ser consideradas v\u00e1lidas as \ndisposi\u00e7\u00f5es de \u00faltima vontade que beneficiaram a sua companheira. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo\n o ministro Antonio Carlos, o documento em discuss\u00e3o n\u00e3o avan\u00e7ou sobre a\n leg\u00edtima dos herdeiros e observou apenas a parte dispon\u00edvel para \ndoa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sendo o testador plenamente capaz, a forma prescrita em  lei e o objeto l\u00edcito, \u00e9 v\u00e1lido o testamento&#8221; \u2013 concluiu, dando  provimento ao pedido para julgar improcedente a a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte &#8211; STJ &#8211; REsp 1641549<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200bPara a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), as cl\u00e1usulas de inalienabilidade t\u00eam dura\u00e7\u00e3o limitada \u00e0 vida do benefici\u00e1rio \u2013 seja ele herdeiro, legat\u00e1rio ou donat\u00e1rio \u2013, n\u00e3o se admitindo o gravame perp\u00e9tuo, transmitido sucessivamente por direito heredit\u00e1rio. Assim, as cl\u00e1usulas de inalienabilidade, incomunicabilidade e impenhorabilidade n\u00e3o tornam nulo o testamento, que s\u00f3 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[7],"class_list":["post-728","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-civel"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/como-o-advogado-deve-agir-em-uma-audiencia-de-conciliacao.jpeg","jetpack-related-posts":[{"id":801,"url":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2020\/02\/13\/herdeiro-de-empregado-falecido-deve-ser-citado-para-dar-prosseguimento-a-processo\/","url_meta":{"origin":728,"position":0},"title":"Herdeiro de empregado falecido deve ser citado para dar prosseguimento a processo","date":"fevereiro 13, 2020","format":false,"excerpt":"A Subse\u00e7\u00e3o II Especializada em Diss\u00eddios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho determinou que o herdeiro de um empregado falecido da Companhia Hidrel\u00e9trica do S\u00e3o Francisco (Chesf) seja citado para que se d\u00ea prosseguimento a um processo em que seu pai era parte. Segundo a SDI-2, \u00e9 incab\u00edvel a\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/domingoseadvogados.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/procedimentos-justi\u00e7a-do-trabalho-1.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":183,"url":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2017\/11\/22\/pensao-por-morte\/","url_meta":{"origin":728,"position":1},"title":"Pens\u00e3o por morte","date":"novembro 22, 2017","format":false,"excerpt":"Pens\u00e3o por morte Coisa chata de se falar \u00e9 na morte, e apesar de ser um assunto m\u00f3rbido, quer\u00edamos chamar sua aten\u00e7\u00e3o para algo que envolve o INSS e o segurado falecido. Assim que um segurado do INSS falece, seus dependentes s\u00e3o amparados pela chamada pens\u00e3o por morte. Esse benef\u00edcio\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":849,"url":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2020\/04\/02\/viuva-habilitada-como-dependente-no-inss-pode-ajuizar-acao-contra-empregador-do-marido\/","url_meta":{"origin":728,"position":2},"title":"Vi\u00fava habilitada como dependente no INSS pode ajuizar a\u00e7\u00e3o contra empregador do marido","date":"abril 2, 2020","format":false,"excerpt":"A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu a legitimidade da vi\u00fava de um aposentado da Companhia Docas do Estado de S\u00e3o Paulo (Codesp) para requerer em ju\u00edzo parcelas decorrentes da rela\u00e7\u00e3o de emprego. Segundo a Turma, a legitimidade decorre do fato de a vi\u00fava ser habilitada na Previd\u00eancia\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":766,"url":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2019\/12\/03\/nao-ha-protecao-do-bem-de-familia-quando-ocorre-violacao-da-boa-fe\/","url_meta":{"origin":728,"position":3},"title":"N\u00e3o h\u00e1 prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia quando ocorre viola\u00e7\u00e3o da boa-f\u00e9","date":"dezembro 3, 2019","format":false,"excerpt":"\u200bA Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) manteve ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR) que aplicou o entendimento segundo o qual a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia pode ser afastada quando h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva. O colegiado negou provimento ao recurso de um\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/domingoseadvogados.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/procedimentos-justi\u00e7a-do-trabalho-1.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":904,"url":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2020\/06\/08\/juiz-devera-aplicar-medidas-coercitivas-a-familiares-que-se-recusam-a-fazer-dna-sejam-ou-nao-parte-na-investigacao-de-paternidade\/","url_meta":{"origin":728,"position":4},"title":"Juiz dever\u00e1 aplicar medidas coercitivas a familiares que se recusam a fazer DNA, sejam ou n\u00e3o parte na investiga\u00e7\u00e3o de paternidade","date":"junho 8, 2020","format":false,"excerpt":"Para dobrar a resist\u00eancia das pessoas que, sendo as \u00fanicas capazes de esclarecer os fatos, se recusam a fornecer material para exame de DNA, o juiz pode lan\u00e7ar m\u00e3o das medidas coercitivas autorizadas pelo artigo 139, inciso IV, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC) \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 contra quem\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/domingoseadvogados.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/33.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":970,"url":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2020\/11\/25\/direito-real-de-habitacao-sobre-imovel\/","url_meta":{"origin":728,"position":5},"title":"Direito real de habita\u00e7\u00e3o sobre im\u00f3vel","date":"novembro 25, 2020","format":false,"excerpt":"\u200b\u200bA Segunda Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) negou o pedido de uma vi\u00fava que pretendia ver reconhecido o direito real de habita\u00e7\u00e3o sobre o im\u00f3vel em que morava, comprado pelo seu falecido marido em copropriedade com um filho dele, antes do casamento. A decis\u00e3o foi proferida em embargos\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Not\u00edcias&quot;","img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/domingoseadvogados.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/33.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728"}],"collection":[{"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=728"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":729,"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728\/revisions\/729"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}