{"id":676,"date":"2019-05-25T09:23:01","date_gmt":"2019-05-25T12:23:01","guid":{"rendered":"http:\/\/domingoseadvogados.com.br\/?p=676"},"modified":"2019-05-23T09:24:43","modified_gmt":"2019-05-23T12:24:43","slug":"dissolucao-de-sociedade-e-redirecionamento-de-execucao-contra-socios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/domingoseadvogados.com.br\/index.php\/2019\/05\/25\/dissolucao-de-sociedade-e-redirecionamento-de-execucao-contra-socios\/","title":{"rendered":"Dissolu\u00e7\u00e3o de sociedade e redirecionamento de execu\u00e7\u00e3o contra s\u00f3cios"},"content":{"rendered":"\n<p>Se a sociedade limitada, cujo capital social haja sido completamente integralizado,\nfor dissolvida por comum acordo entre os s\u00f3cios, sem patrim\u00f4nio l\u00edquido a ser\npartilhado, o redirecionamento de execu\u00e7\u00e3o contra os ex-s\u00f3cios n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a\n(STJ) deu provimento ao recurso de um ex-s\u00f3cio para exclu\u00ed-lo do polo passivo\ndo cumprimento de senten\u00e7a contra a empresa da qual ele fazia parte.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria contra a sociedade foi proposta em 1999 e julgada\nprocedente em 2002. A empresa foi extinta por m\u00fatuo acordo entre os s\u00f3cios em\n2001, ocasi\u00e3o em que foi registrado perante a Junta Comercial que n\u00e3o havia\npatrim\u00f4nio ativo nem passivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2007, o ju\u00edzo de primeiro grau incluiu os s\u00f3cios no polo passivo do\ncumprimento da senten\u00e7a, para que respondessem pela d\u00edvida constitu\u00edda ap\u00f3s o\nencerramento da pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desconsidera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, relator do recurso especial na Terceira\nTurma, ressaltou que a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica \u2013 instituto\nque permitiria a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos ex-s\u00f3cios \u2013 n\u00e3o se confunde com a\nextin\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator destacou que a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade \u201csomente \u00e9\nposs\u00edvel quando estiver demonstrada a utiliza\u00e7\u00e3o abusiva da pessoa jur\u00eddica,\nseja decorrente de desvio de sua finalidade, seja por manifesta\u00e7\u00e3o de confus\u00e3o\npatrimonial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, segundo o ministro, a inclus\u00e3o do ex-s\u00f3cio no polo passivo da\ndemanda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, j\u00e1 que a empresa extinta era t\u00edpica sociedade limitada\ne a sua liquida\u00e7\u00e3o n\u00e3o resultou em partilha, pois n\u00e3o havia patrim\u00f4nio l\u00edquido\nativo ou passivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDissolvida a sociedade e extinta a personalidade jur\u00eddica litigante, sem a\ndistribui\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio ativo remanescente, n\u00e3o h\u00e1 viabilidade para o pleito\nde redirecionamento do cumprimento de t\u00edtulo executivo contra os antigos s\u00f3cios\nda pessoa jur\u00eddica devedora\u201d, declarou Bellizze.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Extin\u00e7\u00e3o natural<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o ministro, a quest\u00e3o discutida no recurso diz respeito ao que\nocorre com o patrim\u00f4nio passivo e ativo da empresa naturalmente extinta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele lembrou que o tema j\u00e1 foi enfrentado pela Terceira Turma em hip\u00f3tese na\nqual a sociedade era credora. Na ocasi\u00e3o, o colegiado definiu que a extin\u00e7\u00e3o de\nempresa por comum acordo se assemelha \u00e0 morte da pessoa natural, o que\njustificaria a sucess\u00e3o civil e processual dos s\u00f3cios para dar seguimento \u00e0\ndemanda em que a pessoa jur\u00eddica extinta figurava como credora e ocupava o polo\nativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Bellizze, sendo devedora a empresa dissolvida, a aplica\u00e7\u00e3o do mesmo\nprinc\u00edpio resultaria na possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o somente nos limites\ndo patrim\u00f4nio transferido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cApenas na hip\u00f3tese em que a sociedade liquidada tenha resultado em\npatrim\u00f4nio l\u00edquido positivo, com sua liquida\u00e7\u00e3o e efetiva distribui\u00e7\u00e3o entre os\ns\u00f3cios, seria poss\u00edvel a sucess\u00e3o da empresa\u201d, resumiu o relator.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ressalvas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Marco Aur\u00e9lio Bellizze ressaltou que, diferentemente do que ocorre com a\nmorte da pessoa natural, a extin\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica pode sujeitar tamb\u00e9m o\npatrim\u00f4nio pessoal dos s\u00f3cios ao cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es remanescentes,\ncomo, por exemplo, prev\u00ea o <strong><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2004-2006\/2005\/Lei\/L11101.htm#art115\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo 115<\/a><\/strong> da Lei de Fal\u00eancia e Recupera\u00e7\u00e3o\nJudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>A sucess\u00e3o processual da empresa extinta, de acordo com Bellizze, s\u00f3 ser\u00e1\nposs\u00edvel contra os s\u00f3cios ilimitadamente respons\u00e1veis ou, na sua falta, contra\nos demais s\u00f3cios, mas nos limites do ativo partilhado por eles \u2013 apura\u00e7\u00e3o que\ndever\u00e1 ser feita pelo procedimento de habilita\u00e7\u00e3o previsto nos artigos 1.055 e\nseguintes do CPC\/1973 (artigos 687 a 692 do c\u00f3digo atual). O ministro\nesclareceu, contudo, que essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 configurada no caso analisado\npela Terceira Turma.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: STJ &#8211; Processo: REsp 1784032<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a sociedade limitada, cujo capital social haja sido completamente integralizado, for dissolvida por comum acordo entre os s\u00f3cios, sem patrim\u00f4nio l\u00edquido a ser partilhado, o redirecionamento de execu\u00e7\u00e3o contra os ex-s\u00f3cios n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. 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